sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Livro 57: Feliz por nada


Titulo: Feliz por nada
Autora: Martha Medeiros
Ano: 2013
Editora: L&PM
Páginas: 211
Classificação: Crônica Brasileira

Sinopse do livro: Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.” É com a força transformadora de um abraço que Martha Medeiros abre este novo livro de crônicas e é com a mesma singeleza e olhar arguto para o cotidiano que a escritora ilumina algumas das questões mais urgentes do século XXI. A destacada romancista, cronista e poeta, que já teve obras adaptadas para o cinema, para a tevê e para o teatro, fala aos leitores com a sinceridade de um amigo e materializa as angústias e os anseios da sociedade pós-tudo, que vive acuada sob o grande limitador do tempo. Nesta coletânea de mais de oitenta crônicas, Martha Medeiros aborda temas muito diversos e ao mesmo tempo muito próximos do leitor. A autora tem o dom para aproximar assuntos por vezes fugidios – como é próprio do cotidiano – de questões universais, como o amor, a família e a amizade, e criar lugares de reconhecimento para o leitor, como ao falar de Deus, dos romances antigos e novos, da mulher, de escritores e cineastas que são imortais, de se perder e se reencontrar, do que a vida oferece e muitas vezes se deixa passar. “Feliz por nada”, afirma Martha Medeiros, é fazer a opção por uma vida conscientemente vivida, mais leve, mas nem por isso menos visceral.


Sinopse do fundo: Geralmente, quando uma pessoa exclama Estou tão feliz!, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.
Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativiza as chatices diárias e se concentrar no que importa para valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível, ser feliz também. (...)
A vida não é um questionamento de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião  sem a menor culpa. Ser feliz por nada talvez seja isso."

Minha opinião: Não é de se surpreender que o livro seja muito bom, já que todos os livros de Martha Medeiros são surpreendentes. Sou suspeita de falar, mas existe dois autores que moram em meu coração, um foi Caio F. Abreu, a outra agora é nossa Martinha! Martha é fanática em escrever contos, crônicas e pequenos textos, mais que em poucas palavras ela consegue expressar o que seus leitores e fãs pensam e sentem. Assim acontece no livro, boa parte dos seus textos falam de amor, correspondido e errado, fala de auto-estima, fala da vida vivida e não vivida. Seus textos compactos, divertidos e cômicos, faz com que seja quase impossível parar de ler, é sempre um ciclo de apenas mais um texto, que o livro acaba num piscar de olhos. Martha consegue transformar as coisas mais simples do dia-a-dia como um abraço, em algo tão valioso, que paramos para pensar em como deixamos que algo tão simples fuja as nossas mãos, o tempo anda tão corrido que mal nos permitimos um abraço.
Transformar os pequenos detalhes, sentimentos e ações em grandes textos é o estopim da Martha Medeiros. Ela consegue enxergar o que naturalmente todos nós deixamos passar.



Frases


" O que ninguém nos ensina é que gentileza demais pode por incrível que pareça também ser um defeito dos grandes" 

"Se você tem mais de 9 anos de idade, já sabe o que é ironia e entendeu meu recado: seja gentil, mas não a ponto de perder o tino. Se tiver que ferir suscetibilidades para salvar sua pele, paciência. Atravesse a rua. Desça pela escada. Dê no pé. Sucesso é chegar em casa com vida." 

"Às vezes ficamos mais presas a um amor quando ele termina do que quando nos mantemos na relação." 

"Mas o amor, de fato, possui artimanhas complexas" 

" Amadurecer talvez seja descobrir que sofrer algumas perdas é inevitável, mas que não precisamos nos agarrar a dor para justificar a nossa existência." 

"Ninguém sabe o que está se passando pela cabeça da pessoa que está dormindo ao nosso lado" 

"Ser feliz não é muito difícil, basta não ficar obcecado com esse assunto e tratar de viver. Quem pensa demais não vive. "

"Melhor uma ausência honesta do que uma presença desaforada. " 

"Mas existe verdadeiramente outro rumo? Na verdade, só existe a direção que tomamos. O que poderia ter sido já não conta." 

"E prestar atenção no filho, controlar seu hábitos, perceber seus silêncios, demonstrar interesse pelo que ele faz, pelo que ele pensa, quem são seus amigos, quais suas aptidões, do que ele se ressente, o que está calando, porque está chorando, se sua rebeldia é uma maneira de pedir socorro, se está precisando conversar, se o que tem sentido é demasiado pesado pra ele, se precisa repartir suas dores, se está sendo bem acolhido pela escola, se não estão exigindo dele mais do que ele pode dar, se não foram transferidas responsabilidades para ele que são incompatíveis com sua idade, se há como entender e aceitar seus desejos, se ele está arriscando a própria vida e precisa de freio, se estamos deixando ele sonhar alto demais, se estamos induzindo que ele sonhe de menos, se ele está recebendo os estímulos certos ou desenvolvendo preconceitos generalizados. Dá uma trabalheira, mas isso é amar." 

"Assistindo em DVD ao delicado filme Caramelo, produção franco-libanesa do ano passado, tive a sensação boa de confirmar que o tempo passa, os filhos crescem, os corações se partem, mas as amigas ficam. Como todos os filmes que abordam a amizade e a solidão intrínseca de toda mulher, Caramelo nos consola valorizando o que temos de melhor: a nossa paixão, a nossa bravura ("sou mais macho que muito homem") e o bom humor permanente, mesmo diante de tristezas profundas." 

"Como disse sabiamente Martha Medeiros em uma de suas crônicas no ano passado: Ao perdemos o critério de quem realmente merece destaque, só o que nos destaca é a nossa pobreza cultural." 

"Ando cansada de tantos eus, inclusive o meu."

"A vida só se tornará mais leve e divertida se pararmos de nos auto-consumir com tanta ganância e darmos uma olhadinha para fora. A gente perde muito tempo pensando na nossa imagem, no nosso futuro, nos nossos problemas, nas nossas vitórias, no nosso umbigo. Até que um dia acordamos asfixiados, enjoados, sem ânimo e sem paciência para continuar sustentando a pose, correspondendo às expectativas, buscando metas irreais, vivendo de frente pro espelho e de costas pro mundo." 

"A vida não apenas continua, ela sempre recomeça" 

" O amor é a ponte que nos levará a outras realizações mais profundas, o amor é um condutor que a fará chegar a um estado de plenitude que envolva satisfação de outras necessidades, que não apenas as de caráter romântico." 



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